O programa “Globo Repórter” realiza uma expedição pelos Lençóis Maranhenses, destacando a interdependência entre natureza, ciência e a vida das comunidades locais neste Patrimônio Natural da Humanidade.
A beleza das dunas e lagoas
Os Lençóis Maranhenses, patrimônio natural da humanidade, são conhecidos por suas extensas dunas e lagoas de águas cristalinas. A beleza dessa região vai muito além de sua aparência impressionante; o programa Globo Repórter traz uma abordagem sobre como a natureza e a vida humana interagem nesse ecossistema único. A produção, comandada por Bette Lucchese, realiza uma expedição por esse deslumbrante campo de dunas, apresentando a relação íntima entre a ciência e o cotidiano dos moradores locais.
Durante a jornada, a equipe do programa atravessa não apenas as dunas, mas também explora lagoas, rios, praias e manguezais, evidenciando as nuances da biodiversidade e a importância da preservação ambiental. O foco vai além da paisagem, incluindo a vivência das comunidades que habitam nas áreas mais remotas do parque.

Vivências de moradores e turismo
Os habitantes dos Lençóis Maranhenses têm sua história e cultura entrelaçadas com o turismo que vem crescendo na região. O Globo Repórter visita o oásis de Baixa Grande e o povoado Queimada dos Britos, onde as famílias acolhem turistas e compartilham como o turismo impactou suas vidas. Jôina Malheiros, uma descendente dos primeiros moradores, destaca que a pesca ainda faz parte do cotidiano, mas o turismo se tornou uma nova fonte de renda.
Além disso, é apresentada Dona Maria Aparecida Santos, de 85 anos, que relata como as mudanças naturais, como o avanço das dunas, obrigaram sua família a mudar de casa, mas que ainda assim se sente profundamente ligada a Betânia, sua comunidade. O programa também revela a determinação dos moradores em manter viva a cultura e o estilo de vida local, mesmo diante das transformações.
Estudos sobre a formação das dunas
Um aspecto fascinante do Lençóis Maranhenses é a ciência por trás de sua formação. Pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão explicam como a areia é transportada até o litoral e como as lagoas temporárias se formam e se reúnem durante a estação chuvosa. O estudo detalha o ciclo da água, com a chuva infiltrando-se no solo e, em seguida, ressurgindo nos períodos de cheia.
O programa também enfatiza o constante movimento da paisagem, onde as lagoas podem encher, secar ou até mesmo romper as dunas. Os pesquisadores observam como pequenos peixes adaptam-se a essas mudanças, sobrevivendo ao longo dos meses secos ao manter seus ovos enterrados na areia até que as chuvas retornem.
Desafios do turismo e conservação
Com o aumento da visitação nos Lençóis Maranhenses, surgem também desafios relacionados à conservação ambiental. O programa revela que o número de visitantes subiu de 440 mil em 2024 para 650 mil em 2025, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade da região. O ICMBio destaca a necessidade de regulamentações que garantam o acesso ao parque sem comprometer a integridade do ecossistema.
Como parte desse esforço, a equipe do Globo Repórter acompanha iniciativas como o projeto Peixinhos da Areia, que ensina crianças da comunidade sobre a importância da educação ambiental e a preservação dos recursos naturais. Este projeto é um exemplo de como as novas gerações estão sendo preparadas para enfrentar os desafios da convivência com um ambiente tão frágil e belo como os Lençóis Maranhenses.


